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5G em Moçambique, o que as bandas do INCM mudam para quem trabalha com telemóveis

Administrador  ·  22/10/2026
5G em Moçambique, o que as bandas do INCM mudam para quem trabalha com telemóveis
Foto: Wisneyykarin, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Esta lição junta tudo o que viste até aqui e aplica-o ao mercado onde trabalhas. Não é teoria: são decisões que vais ter de tomar ao comprar, vender e aconselhar durante os próximos anos.

O que se passou

Em Abril de 2026 o INCM, o regulador das comunicações, abriu o concurso para o espectro de 5G. Concorreram as três operadoras do país: Tmcel, Vodacom Moçambique e Movitel. As faixas em causa foram 700 MHz, 2.6 GHz e 3.5 GHz. A imprensa do sector noticiou depois a atribuição de licenças às três, tanto para 5G como para alargar o 4G.

Quanto a prazos, o que foi dito publicamente aponta para 5G nas capitais provinciais, nas zonas económicas especiais e nos principais destinos turísticos até 2027, e banda larga em todos os distritos até 2030.

Estes dados vêm de notícias do sector e de declarações públicas. Para condições exactas de licença e calendários oficiais, a fonte a consultar é o próprio INCM. Vale a pena confirmares antes de prometeres datas a um cliente.

Porque é que estas três bandas, e não outras

Agora já tens as ferramentas para ler isto. Não foram escolhidas ao acaso: são três camadas com funções diferentes.

Banda Função O que esperar
700 MHz Cobertura Vai longe, entra em casa, chega ao mato. Velocidade moderada.
2.6 GHz Capacidade Boa velocidade em cidade. Alcance médio.
3.5 GHz Velocidade Muita largura de banda. Alcance curto, pára em paredes.

Os 700 MHz são a banda mais importante para um país com a geografia de Moçambique. Com 43 cm de comprimento de onda, contorna obstáculos e cobre áreas grandes com poucas antenas. Para zonas rurais, onde pôr torres é caro, é a única banda que faz contas.

Os 3.5 GHz são o contrário: dão os números bonitos nos testes de velocidade, mas exigem muitas antenas e praticamente não atravessam betão. É banda de cidade, de centro comercial, de zona turística.

Repara na ligação com o problema real do país. Foi noticiado que cerca de 20,5% dos moçambicanos têm acesso à internet e que o 4G não chega a cerca de um sexto da população. Para essa gente, o que muda a vida não é 5G de 3.5 GHz: é a banda de 700 MHz a levar cobertura decente onde hoje não há nada. A parte menos vistosa do leilão é a que tem mais impacto.

O que isto muda no teu negócio, já

1. Verificar bandas antes de comprar ou vender usados

Este é o ponto que te pode poupar prejuízos a sério.

Um telemóvel só funciona nas bandas que o rádio dele suporta, e isso não se resolve com software. Telemóveis vendidos para o mercado norte-americano, e muitos modelos de mercados asiáticos, não trazem as bandas baixas usadas aqui.

As bandas a confirmar para Moçambique:

Tecnologia Bandas a procurar
4G, cobertura B20 (800), B28 (700), B8 (900)
4G, geral B1 (2100), B3 (1800), B7 (2600)
5G, cobertura n28 (700)
5G, capacidade n78 (3500), n7 / n38 (2600)

Um telemóvel sem n28 pode ter 5G na Beira ou em Maputo e nada fora das cidades. Um telemóvel sem B20 nem B28 vai ser uma queixa permanente de quem viaja.

Como confirmar: procura a ficha técnica pelo modelo exacto, incluindo o código de variante regional, e confirma a lista de bandas. Dois telemóveis com o mesmo nome comercial podem ter rádios diferentes conforme o mercado. O código de modelo está nas definições e na etiqueta, e é por ele que te deves guiar, não pelo nome da caixa.

Transforma isto num serviço. "Verificação de bandas antes de comprar" é uma coisa que ninguém faz e que evita ao cliente comprar um telemóvel que não presta aqui. Cobra pouco e ganha a confiança toda.

2. Explicar o 5G sem vender ilusões

Vai aparecer-te muita gente a perguntar se vale a pena comprar um telemóvel 5G. A resposta honesta, hoje, é esta: depende de onde a pessoa vive e trabalha.

Se vive e trabalha numa zona que terá cobertura, sim, faz sentido num telemóvel que vai durar anos. Se vive numa zona onde nem 4G decente há, o 5G não lhe traz nada e mais vale pôr o dinheiro em bateria e em bandas baixas.

Além disso, lembra-te da distinção entre 5G ligado a um núcleo 4G e 5G autónomo. As redes começam quase sempre pelo primeiro, e nessa fase o 5G é sobretudo mais velocidade, não a resposta imediata de que se fala nas apresentações. Um cliente que vê 5G no ecrã e velocidade parecida com 4G não tem avaria nenhuma.

3. A banda dos 700 MHz e a televisão

Há aqui um pormenor técnico que pode dar-te trabalho e que quase ninguém antecipa. A faixa dos 700 MHz era usada por televisão terrestre em muitos países, e é libertada para telecomunicações no processo a que se chama dividendo digital.

Quando a rede móvel entra nessa faixa, aparelhos de televisão e amplificadores de antena antigos, mal filtrados, podem começar a apanhar interferência. O sintoma é televisão a falhar em casas perto de antenas novas. A solução costuma ser um filtro na entrada da antena de televisão.

Se souberes reconhecer isto, tens um serviço novo que ninguém na tua zona está a oferecer, e que vai aparecer à medida que a rede for sendo ligada.

4. Mais antenas quer dizer mais clientes com perguntas

Quando entram antenas novas, o cenário de rádio muda. Algumas casas passam a estar no meio de duas células com força parecida, o que, como viste na lição anterior, dá sinal forte com internet má. Vai haver clientes a dizer que "depois de porem a antena nova ficou pior".

Com RSRP, RSRQ e SINR consegues mostrar o que se passa e explicar que mudar de sítio dentro de casa, ou fixar o telemóvel numa banda, resolve. Isto é diagnóstico, não é reparação, e é exactamente o tipo de coisa que te distingue.

As três operadoras

Segundo dados da GSMA relativos a 2025, a Vodacom Moçambique tinha cerca de 52% das ligações móveis, o Movitel cerca de 32% e a Tmcel cerca de 16%.

Isto interessa-te por uma razão prática: a cobertura não é igual entre elas, e varia muito de distrito para distrito. Quando um cliente se queixa de rede, uma das perguntas úteis é com que operadora, porque a resposta certa pode ser simplesmente outra operadora naquela zona.

Vale a pena teres, na tua oficina, um cartão de cada uma das três. Custa pouco e permite-te testar a sério, em vez de dar palpites. Com três cartões e um telemóvel de referência, respondes em dois minutos a uma pergunta que de outra forma seria um palpite.

O que não vale a pena acreditar

  • Software que "activa" bandas. Não existe. O rádio ou tem o circuito daquela banda ou não tem.
  • Aplicações que "aumentam o sinal". Não aumentam nada. O que algumas fazem é forçar uma nova procura de rede, que às vezes ajuda por acaso.
  • 5G que faz mal à saúde. As potências e as frequências em causa estão dentro dos limites internacionais e são não ionizantes. Se um cliente trouxer o assunto, responde com calma e sem gozar, que a dúvida é legítima mesmo quando a resposta é tranquilizadora.
  • Amplificadores de sinal vendidos a peso. Repetidores mal instalados atrapalham a rede e, em muitos países, precisam de autorização. Antes de vender ou instalar um, confirma as regras do INCM.

A seguir

Já tens a rede do lado de fora. Nas próximas lições entramos no que acontece dentro dela quando ligas o telemóvel, e na parte da profissão que te protege: o que é legal, o que não é, e onde está a linha que não se passa.

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