A verificação de IMEI do INCM, o que confirma, o que não confirma e como a usar antes de comprar
Em Agosto de 2026 o INCM lançou uma ferramenta pública e gratuita para verificar o IMEI de telemóveis e tablets. Escreves o número e a ferramenta diz se ele corresponde a um aparelho autêntico, registado junto da GSMA. O objectivo anunciado é travar a circulação de aparelhos contrafeitos e importados ilegalmente.
É uma boa notícia e vale a pena usá-la. Mas convém perceber exactamente o que ela responde, porque vai haver muita gente a pensar que responde mais do que responde.
Como funciona por dentro
Na lição sobre os quatro números viste que os primeiros 8 dígitos do IMEI são o TAC, o código do tipo de aparelho. Esses códigos não se inventam: a GSMA atribui-os aos fabricantes, e cada TAC fica ligado a uma marca e a um modelo concretos.
Um aparelho contrafeito costuma denunciar-se aqui de uma de três maneiras:
- usa um TAC que não existe na base da GSMA;
- usa um TAC que existe mas pertence a outro modelo (um "Galaxy" com o TAC de um telemóvel básico);
- usa um IMEI com o dígito de controlo errado, que nem passa a conta de Luhn.
É isto que a verificação apanha.
O que a verificação NÃO te diz
| Pergunta | A verificação responde? |
|---|---|
| Este IMEI pertence a um modelo real, registado na GSMA? | Sim. É para isto que serve. |
| O aparelho que tenho na mão é esse modelo? | Só se fores tu a comparar. Ver abaixo. |
| O aparelho foi roubado? | Não. A ferramenta foi anunciada contra contrafacção, não contra roubo. |
| O IMEI foi copiado de outro telemóvel verdadeiro? | Não. Um IMEI clonado de um aparelho real passa na verificação. |
| O telemóvel tem FRP, iCloud ou conta presa? | Não. Isso verifica-se no aparelho. |
| O telemóvel tem as bandas usadas em Moçambique? | Não directamente. Vê-se pelo modelo exacto. |
O ponto do IMEI clonado é o mais importante. Um contrafactor esperto não inventa um IMEI: copia o de um telemóvel verdadeiro do mesmo modelo. Esse IMEI existe, está registado, e a verificação diz que está tudo bem. Por isso a verificação é um filtro, não um certificado.
A rotina completa antes de comprar um usado
Junta a verificação do INCM a mais quatro passos e apanhas quase tudo. São cinco minutos.
- Marca
*#06#no próprio telemóvel e apanha o IMEI do ecrã. Não confies no que vem escrito num papel. - Compara com a etiqueta e com a caixa. Os três têm de ser iguais. Num telemóvel de dois cartões há dois IMEI: confirma os dois.
- Verifica no INCM. Se a ferramenta disser que não corresponde a um aparelho autêntico, pára aqui.
- Compara o modelo. A verificação (e o verificador de IMEI deste site) diz-te o modelo a que aquele TAC pertence. Vai às definições do telemóvel, em Acerca do telefone, e confirma que o modelo é o mesmo. Um telemóvel que diz ser uma coisa nas definições e outra no TAC é contrafeito, ou tem software alterado.
- Verifica as contas e as bandas. Sem conta Google nem iCloud presa (há um artigo próprio sobre isto) e com as bandas que funcionam aqui (ver a lição sobre o 5G em Moçambique).
Um sinal que vale mais do que qualquer verificação: um telemóvel caro a preço de banana. Se o negócio é bom demais, há uma razão, e normalmente não é boa.
Sinais de contrafacção que vês sem ferramenta nenhuma
- O menu de Acerca do telefone mostra uma memória ou um processador que não batem certo com o modelo.
- Aplicações de informação do aparelho mostram um processador diferente do anunciado. Muitos falsos usam um processador barato com uma "pele" que imita o original.
- A câmara anunciada com dezenas de megapíxeis tira fotos que não aguentam ampliação.
- A Play Store não está certificada, ou não há actualizações do sistema.
- O peso, os acabamentos e os parafusos não batem certo com o original.
O que isto muda para quem vende e repara
Há um decreto de 2023 que criou o regime de registo de equipamentos de comunicações, que abrange os próprios aparelhos e também os distribuidores e revendedores. Se vendes telemóveis, mesmo usados, vale a pena conheceres as regras e confirmares junto do INCM o que se aplica ao teu caso.
Para o dia a dia da bancada, a ferramenta traz uma coisa útil: passas a ter uma maneira oficial e rápida de mostrar ao cliente que um aparelho é, ou não é, o que diz ser. Isso protege-te a ti também, porque um aparelho contrafeito é um cliente insatisfeito à espera de acontecer.
O que ainda falta
A ferramenta responde à contrafacção. O passo natural a seguir, que muitos países já deram, é ligar a base de IMEI à participação de furto, para que um telemóvel participado como roubado deixe de funcionar nas redes do país. Na pesquisa que fiz não encontrei confirmação de que isso já exista em Moçambique. Se vier a existir, é uma das medidas que mais retira valor ao roubo de telemóveis.
A linha legal
Verificar um IMEI antes de comprar é exactamente o que se deve fazer. O que nunca se faz é alterar um IMEI para um aparelho passar na verificação: isso é crime, e é precisamente o que estas ferramentas existem para combater.









