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dBm e dB, ler a força do sinal sem decorar fórmulas

Administrador  ·  22/10/2026
dBm e dB, ler a força do sinal sem decorar fórmulas
Foto: Pieter D.J. Krul, CC BY 3.0, Wikimedia Commons

Abres um menu de rede e vês -95 dBm. O cliente pergunta se é bom. Se hesitas, esta lição resolve isso de vez, e sem matemática pesada.

Porque não se usam watts

As potências com que lidamos têm tamanhos absurdamente diferentes. Uma antena de operadora emite dezenas de watts. O sinal que chega ao teu telemóvel anda à volta de 0,000000000001 watt.

Escrever isso em watts é impraticável. Por isso usa-se uma escala que conta zeros em vez de os escrever: o decibel.

dB é uma comparação, dBm é um valor

Esta distinção é a que mais se troca e vale a pena fixar.

  • dB compara duas potências. Um cabo que tem 3 dB de perda tira metade do sinal. Não diz quanto sinal havia, só o que tirou.
  • dBm é uma potência medida a sério, comparada com 1 miliwatt. Quando dizes -95 dBm, estás a dizer um valor concreto.

Um atalho para nunca mais trocar: se tem "m", é um valor. Sem "m", é uma diferença.

Os três números que precisas de saber de cor

Não precisas de logaritmos. Precisas de três regras:

Diferença O que acontece à potência
3 dB Dobra
-3 dB Fica em metade
10 dB Fica dez vezes maior
-10 dB Fica dez vezes menor
20 dB Cem vezes maior
-20 dB Cem vezes menor

Com isto resolves quase tudo, porque os decibéis somam-se em vez de se multiplicarem. Queres 30 dB? São 10 mais 10 mais 10, ou seja dez vezes dez vezes dez, mil vezes.

Um exemplo que mostra o poder disto

Um cliente diz que o telemóvel dele tem -85 dBm e o do irmão tem -105 dBm, e pergunta se a diferença é muita.

São 20 dB de diferença. Vinte dB são cem vezes. O telemóvel dele está a receber cem vezes mais sinal que o do irmão. Dito assim, o cliente percebe logo, e tu não fizeste conta nenhuma.

A tabela que deves afixar na bancada

Para o nível de sinal recebido em 4G, estes são os patamares práticos:

Valor Como está O que esperar
-50 a -80 dBm Excelente Tudo rápido. Normalmente perto da antena.
-80 a -90 dBm Bom Funciona bem para tudo.
-90 a -100 dBm Razoável Chamadas bem, internet mais lenta.
-100 a -110 dBm Fraco Quedas, lentidão, bateria a sofrer.
Abaixo de -110 dBm Mau Liga e desliga. Pouco utilizável.

Repara que os números são negativos e que mais perto de zero é melhor. Um -70 é muito melhor que um -100. É o ponto onde quase toda a gente se engana à primeira.

dBi, o ganho de uma antena

Vais ver antenas anunciadas com 2 dBi, 9 dBi, 18 dBi. Isto é ganho, e é fácil de interpretar mal.

Uma antena não cria potência. O que ela faz é concentrar a que existe numa direcção, tirando-a de outras. É exactamente o que um reflector faz a uma lâmpada: não acrescenta luz, aponta-a.

Por isso uma antena de ganho alto é mais apertada. Uma antena de 18 dBi dá muito alcance mas tem de estar bem apontada; dois graus ao lado e perdes tudo. Uma de 2 dBi cobre em volta mas vai pouco longe.

Isto explica uma coisa que acontece muito: um cliente compra uma antena externa de ganho alto para melhorar a rede em casa, aponta-a a olho, e fica pior do que estava.

Fazer contas de verdade, somando

A grande vantagem dos dB é que tudo se soma. Imagina uma instalação de reforço de sinal:

Elemento Efeito
Sinal que chega à antena exterior -95 dBm
Ganho da antena exterior +10 dB
Perda no cabo, 15 metros -5 dB
Ganho do amplificador +50 dB
Perda no cabo interior -3 dB
Ganho da antena interior +3 dB
Resultado -40 dBm

Somaste e pronto. Nenhuma multiplicação, nenhum logaritmo. É para isto que os decibéis foram inventados.

Potência não é qualidade

Este é o erro que mais custa tempo a um técnico.

Podes ter -70 dBm, um sinal fortíssimo, e a internet não prestar. Como? Porque o que chega forte pode ser sinal e ruído misturados. Se estiveres entre duas células da mesma operadora, a receber as duas com força parecida, uma interfere com a outra e a qualidade afunda-se, mesmo com as barras todas cheias.

É por isso que existem outros indicadores além da potência, e é sobre eles a próxima lição. Mas guarda já a ideia:

As barras no ecrã mostram potência. Não mostram qualidade, nem quanta gente está a dividir aquela célula contigo. Um telemóvel com cinco barras e internet má não tem avaria nenhuma.

Quanta potência usa o teu telemóvel

Um telemóvel em 4G pode emitir até cerca de 200 miliwatts, o que dá 23 dBm. Mas quase nunca usa isso. A rede manda-o baixar para o mínimo que chegue.

Há duas razões. Poupar a bateria do cliente, e não atrapalhar os outros telemóveis à volta, que é o que acontece se todos gritarem ao mesmo tempo.

Isto tem uma consequência prática que já deves ter visto: um telemóvel numa zona de sinal fraco gasta bateria muito mais depressa e aquece mais. Não está avariado. Está a emitir no máximo, o tempo todo, para se fazer ouvir.

Quando um cliente se queixa de bateria e o telemóvel vive numa zona de sinal fraco, vale a pena medir antes de trocar bateria.

Exercício

Mede o sinal em cinco sítios: encostado à janela, no meio da sala, na casa de banho, na rua à porta, e num sítio onde sabes que a rede é má. Anota os dBm de cada um.

Vais ver diferenças de 20 e 30 dB dentro da mesma casa, ou seja, de cem a mil vezes. Depois disto, nunca mais olhas para as barras da mesma maneira, e passas a conseguir explicar a um cliente, com números, porque é que a chamada cai sempre naquele canto.

A seguir

Potência já sabes medir. Falta a qualidade, que é o que realmente decide se a internet anda. Na próxima lição vemos RSRP, RSRQ e SINR, e o que fazer com cada um.

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