MCC, MNC, LAC, TAC e Cell ID, a morada do telemóvel dentro da rede
Quando um telemóvel liga, ele não procura "a Vodacom" nem "o Movitel". Procura números. Toda a rede móvel do mundo funciona com um sistema de endereços, e conhecê-lo é o que separa quem adivinha de quem diagnostica.
São poucos números e encaixam uns nos outros, do país até à antena concreta onde estás agarrado.
MCC, o país
O MCC, Mobile Country Code, são três dígitos que dizem o país. É atribuído pela União Internacional das Telecomunicações e não muda.
| País | MCC |
|---|---|
| Moçambique | 643 |
| África do Sul | 655 |
| Zimbabué | 648 |
| Malawi | 650 |
| Tanzânia | 640 |
| Zâmbia | 645 |
| Portugal | 268 |
| Brasil | 724 |
MNC, a operadora
O MNC, Mobile Network Code, são dois ou três dígitos que dizem qual operadora dentro daquele país. Juntando MCC e MNC tens o identificador único de uma rede no mundo inteiro, a que se chama PLMN.
Em Moçambique, dentro do 643, as redes são estas:
| Operadora | PLMN |
|---|---|
| Tmcel (mCel) | 643 01 |
| Movitel | 643 03 |
| Vodacom Moçambique | 643 04 |
Confirma sempre no aparelho que tens à frente, porque estas listas mudam com fusões e com redes novas. Daqui a pouco mostro como ler isto no telemóvel em dez segundos.
É este par de números que decide se estás em casa ou em roaming. O telemóvel compara o PLMN que o cartão diz ser o dele com o PLMN que a antena está a anunciar. Se forem diferentes, é roaming, e aplicam-se outras regras e outros preços.
LAC e TAC, o bairro
A rede não anda a seguir cada telemóvel célula a célula quando ele está parado, porque isso daria um trabalho imenso. Agrupa células em zonas.
- No 2G e 3G chama-se LAC, Location Area Code.
- No 4G e 5G chama-se TAC, Tracking Area Code.
O telemóvel só avisa a rede quando muda de zona, não quando muda de célula. Quando te ligam, a rede toca em todas as células daquela zona a perguntar por ti.
Atenção a uma armadilha de vocabulário. Neste contexto TAC é a zona da rede. Mas há outro TAC completamente diferente, o Type Allocation Code, que são os primeiros oito dígitos do IMEI e dizem a marca e o modelo do aparelho. Mesma sigla, assuntos que não têm nada a ver. Quando leres TAC, vê sempre se se está a falar de rede ou de IMEI.
Cell ID, a antena concreta
O Cell ID identifica a célula onde estás agarrado naquele momento. Lembra-te da lição anterior: uma célula é um sector de uma torre numa tecnologia e banda específicas, não a torre inteira. Uma torre com três sectores e várias bandas tem muitos Cell ID diferentes.
No 4G há ainda o eNB ID, que identifica a estação base, e o Cell ID completo inclui-o. Na prática, isso quer dizer que dois sectores da mesma torre têm identificadores quase iguais, só mudando no fim. É uma pista útil: se o teu telemóvel anda a saltar entre dois identificadores quase iguais, está a saltar entre sectores do mesmo sítio, não entre sítios diferentes.
Como ler isto no telemóvel
Em muitos Android, marca este código no teclado do telefone:
*#*#4636#*#*
Abre um menu de testes. Em Informações do telefone encontras o tipo de rede, a potência do sinal e, conforme o modelo, os identificadores da célula.
Nem todos os fabricantes deixam este menu aberto. A Samsung tem os seus próprios códigos de serviço, a Xiaomi mudou isto várias vezes, e em muitos aparelhos recentes o menu foi fechado. Quando não abre, há aplicações de medição de rede que mostram o mesmo e mais: PLMN, zona, Cell ID, banda e níveis de sinal. São ferramentas normais de técnico e não mexem em nada no aparelho, só leem.
No iPhone o campo de teste existe mas tem andado às voltas entre versões, e mostra menos do que no Android. Para trabalho a sério de medição, o Android é mais prático.
Para que serve isto na prática
Saber se o problema é o aparelho ou o sítio
Pega em dois telemóveis no mesmo sítio, um com problema e outro bom, e compara a célula em que estão e o nível de sinal. Se o telemóvel com queixa está numa célula pior, ou com sinal muito mais fraco que o outro no mesmo lugar, a secção de rádio dele merece atenção. Se estão iguais e ambos maus, o problema é o sítio.
Isto é o diagnóstico mais barato que existe e resolve metade das discussões com clientes.
Perceber quedas de chamada numa zona
Se vires o telemóvel a mudar de zona muitas vezes parado no mesmo sítio, estás numa fronteira entre zonas. É onde as chamadas caem mais. Não há reparação para isso, mas há explicação, e às vezes basta sugerir ao cliente que atenda as chamadas dois metros mais para dentro de casa.
Confirmar roaming e cartões estrangeiros
Um cliente com um cartão comprado fora, ou com um telemóvel bloqueado a uma operadora, vê-se logo pelo PLMN. Se o cartão diz um PLMN e o telemóvel recusa registar-se na rede local, estás provavelmente perante um bloqueio de operadora e não uma avaria.
Perceber bloqueios de rede
Um telemóvel bloqueado a uma operadora tem, gravada dentro dele, uma lista de PLMN que aceita. Com outro cartão, ele regista-se só para emergências ou nem isso. Saber ler o PLMN poupa-te horas a tentar reparar uma coisa que não está avariada.
Sobre desbloqueio de operadora, a via correcta é pedir o código à operadora que bloqueou, normalmente depois de cumprido o contrato. É um direito do cliente em muitos países e é um processo legítimo. O que não é legítimo é mexer no IMEI do aparelho, que é outra coisa completamente diferente e é crime em Moçambique e na generalidade dos países.
Um exercício para fazer hoje
Pega no teu telemóvel e apanha estes cinco números: MCC, MNC, a zona, o Cell ID e o nível de sinal. Anota-os em casa, no trabalho e num sítio onde costumes ter sinal fraco.
Em três dias tens um mapa pequeno mas verdadeiro da rede à tua volta, e passas a conseguir dizer a um cliente coisas que ninguém na rua lhe diz. É assim que se ganha fama de perceber do assunto, sem precisar de a anunciar.
A seguir
Já sabes a morada da rede. Falta a identidade: os números que identificam o aparelho e a pessoa, e o que cada um protege. É a próxima lição, e é a mais importante de todas para quem trabalha com telemóveis.









